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Dor no quadril ao deitar de lado: quando a noite vira uma troca de posição

Leitura de 9 min · 06 de outubro de 2026 · Por Fábio Pense Duarte, pioneiro do New Seitai em MG
Fábio Pense Duarte aplicando técnica manual em paciente deitada de lado na maca, na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte

A dor no quadril ao deitar de lado costuma vir dos tendões dos glúteos médio e mínimo, na lateral do quadril — a tendinopatia glútea, principal causa da síndrome dolorosa do grande trocânter, antes chamada de bursite trocantérica. Deitar sobre esse ponto comprime o tendão, e deitar sobre o lado oposto, com a perna de cima caída para frente, também. O que mais ajuda é ajustar a posição de dormir, reduzir as cargas que comprimem o tendão e fortalecer os glúteos de forma progressiva, com orientação.

Muitas mulheres descrevem a mesma cena. São duas, três da manhã. Você acorda com uma dor funda na lateral do quadril. Vira para o outro lado — e logo o outro também começa a incomodar. Pela manhã, os primeiros passos são rígidos. Subir escada, cruzar as pernas no carro, ficar de pé muito tempo numa reunião: tudo isso lembra que o quadril está ali.

Não é "coisa da idade" para aceitar calada. É um quadro bem conhecido, com mecanismo razoavelmente claro e caminhos que costumam funcionar.

O que é a síndrome dolorosa do grande trocânter?

Na lateral da coxa existe uma saliência óssea, o trocânter maior. Nele se prendem os tendões do glúteo médio e do glúteo mínimo, os músculos que mantêm a pelve nivelada quando você está apoiada em um pé só — a cada passo.

"Síndrome dolorosa do grande trocânter" é o nome guarda-chuva para a dor nessa região. Durante muito tempo, ela foi chamada de bursite, porque ali existe uma bolsa (bursa) que reduz o atrito. Mas os exames de imagem mudaram essa visão. Em um estudo com 877 pacientes com dor no trocânter, avaliados por ultrassom, cerca de 80% não tinham bursite; metade tinha alteração nos tendões glúteos (Long e colaboradores, 2013). Hoje, a tendinopatia glútea é reconhecida como a principal fonte local dessa dor.

Isso muda o tratamento: tendão precisa de carga bem dosada, não só de repouso.

Por que a dor no quadril ao deitar de lado piora à noite?

Esses tendões não gostam de compressão, especialmente quando o quadril fica "fechado" para dentro (adução). E a noite é cheia dela:

  1. Deitada sobre o lado dolorido, o peso do corpo pressiona o tendão contra o osso.
  2. Deitada sobre o lado bom, a perna de cima cai para frente e para dentro. O tendão se estica sobre o trocânter e fica comprimido de novo.
  3. Horas na mesma posição somam pressão, e o tendão já irritado reclama.

Durante o dia, algumas posturas fazem o mesmo: ficar em pé apoiada em uma perna só com o quadril "pendurado" para o lado, cruzar as pernas sentada, sentar em cadeiras muito baixas.

Quem tem mais chance de ter esse problema?

É um quadro bem mais frequente em mulheres e na meia-idade. Um estudo com 3.026 adultos de 50 a 79 anos (Segal e colaboradores, 2007, no Archives of Physical Medicine and Rehabilitation) encontrou a síndrome em 15% das mulheres de um lado e em 8,5% dos dois lados, contra 6,6% e 1,9% nos homens. As mulheres tiveram cerca de três vezes mais chance de apresentar o quadro.

O mesmo estudo encontrou associação com:

Curiosamente, nesse estudo, o peso corporal não se associou à síndrome depois dos ajustes. Na prática clínica, também é comum ver a dor surgir depois de um aumento brusco de caminhada, escada, trilha ou treino, ou depois de um período parada, com glúteos mais fracos.

Tendinopatia glútea ou artrose do quadril: como diferenciar?

As duas existem, podem coexistir e se confundem com frequência. Algumas pistas:

Característica Tendinopatia glútea Artrose do quadril
Onde dói Lateral do quadril, às vezes descendo pela coxa Virilha, às vezes nádega ou joelho
Deitar sobre o lado Costuma doer bastante Incomoda menos
Ao apertar a lateral do quadril Ponto sensível bem localizado Geralmente sem ponto sensível
Calçar meia ou sapato Possível, mas não é típico Rigidez e dificuldade frequentes
Rotação da perna Geralmente preservada Limitada e dolorosa
Ficar em um pé só Costuma provocar a dor Pode doer, mas por outro motivo
Quem confirma Médico, pelo exame clínico; ultrassom ou ressonância quando há dúvida Médico, pelo exame clínico; a imagem nem sempre é necessária

Pelo NICE, a artrose pode ser diagnosticada clinicamente, sem imagem, em pessoas com 45 anos ou mais, dor ligada à atividade e rigidez matinal ausente ou de até 30 minutos. Se a sua dor articular tem outras características, vale ler é artrose ou é sobrecarga?.

Outras causas também podem doer "no quadril": dor que vem da lombar e irradia, problemas da articulação sacroilíaca e, mais raramente, fraturas por estresse. Por isso, dor que não se encaixa no padrão merece avaliação médica.

O que ajuda de verdade?

O estudo LEAP, publicado no BMJ em 2018 por Mellor e colaboradores, acompanhou 204 pessoas de 35 a 70 anos com tendinopatia glútea confirmada por ressonância. Comparou três caminhos: educação sobre cargas mais exercícios (14 sessões em oito semanas), uma infiltração de corticoide e "esperar para ver".

Na prática, isso se traduz em um passo a passo:

  1. Proteja o sono. Evite deitar sobre o lado dolorido. Ao deitar sobre o outro lado, use um travesseiro firme e alto entre os joelhos para manter a perna de cima alinhada. Um colchão muito firme pode ganhar uma camada mais macia por cima.
  2. Tire a compressão do dia. Não cruze as pernas, não fique em pé "pendurada" em um quadril, prefira cadeiras em que o quadril fique um pouco acima dos joelhos.
  3. Ajuste a carga, sem parar de se mexer. Reduza por algumas semanas o que mais provoca a dor — escadas longas, trilhas, ladeiras de BH — e mantenha caminhadas planas.
  4. Fortaleça com progressão. Exercícios isométricos no começo, depois fortalecimento em pé e em apoio de uma perna só, com orientação profissional.
  5. Cuidado com alongamentos cruzados. Puxar a perna por cima da outra comprime o tendão irritado.
  6. Olhe para o resto do corpo. A associação com dor lombar e artrose no joelho sugere que a forma de caminhar e de distribuir carga também importa.

O que costuma não ajudar?

Onde a Clínica Fábio Pense entra nesse cuidado?

O tendão dói no quadril, mas o que o sobrecarrega muitas vezes está em outro lugar. Na avaliação funcional, o Fábio costuma observar, conforme a queixa de cada paciente:

A partir dessa avaliação, o Fábio pode combinar diferentes técnicas, porque o trabalho na clínica é sempre integrado, nunca uma técnica isolada. A quiropraxia adaptada e o New Seitai podem ajudar a devolver movimento à lombar e à pelve. O New Seitai é uma técnica de origem japonesa, conhecida como quiropraxia japonesa: faz uma leitura do corpo inteiro (postura, apoio e as cadeias de compensação que ligam regiões distantes) e usa ajustes suaves e precisos, conduzidos com um pequeno instrumento de madeira, sem torções bruscas e sem depender do "estalo". A acupuntura pode entrar no manejo da dor; em dor crônica, incluindo a artrose, uma meta-análise com 20.827 pacientes (Vickers, 2018) mostrou a acupuntura superior à simulada e à ausência de acupuntura.

Essas técnicas caminham junto com o fortalecimento, que é o centro do tratamento da tendinopatia glútea: aliviar a dor e soltar o que está travado ajuda o exercício a acontecer com mais conforto. Muitas pacientes relatam que dormir melhor é a primeira mudança que percebem.

Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais, com 22 anos de prática, formação no Brasil e na China (imersões em 2010 e 2019), mais de 12 mil profissionais formados em seus cursos e registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico: o trabalho é funcional e caminha junto com o seu ortopedista, reumatologista ou ginecologista. A clínica fica em Lourdes, Belo Horizonte, com horários a partir das 6h.

O custo de empurrar com a barriga

Dor lateral do quadril costuma persistir quando nada muda. E dormir mal por meses cobra caro: cansaço, irritação, menos disposição para treinar — e a dor fica mais sensível justamente porque o sono é ruim.

Há também um efeito silencioso. Quem sente dor ao subir escada ou caminhar em subida passa a evitar esses movimentos. No estudo de Segal, quem tinha dor dos dois lados levava mais tempo para caminhar 20 metros e para levantar da cadeira. Em alguns anos, a viagem com caminhadas longas ou o passeio com os netos vão ficando para depois.

Como esse quadro é mais comum em mulheres na meia-idade, muitas pacientes chegam também com outras queixas da transição menopausal — tema do texto sobre dor nas articulações na menopausa.

Quando procurar um médico

Procure avaliação médica rapidamente se:

Também vale passar pelo médico se a dor persiste por mais de algumas semanas, para confirmar o diagnóstico e descartar artrose avançada ou outras causas.

Em resumo

Se o quadril está roubando o seu sono, agende uma avaliação na Clínica Fábio Pense. A avaliação olha o quadril e tudo o que pode estar sobrecarregando essa região.

Referências

  1. Segal NA, Felson DT, Torner JC, et al. Greater trochanteric pain syndrome: epidemiology and associated factors. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 2007;88(8):988-992. Link
  2. Long SS, Surrey DE, Nazarian LN. Sonography of greater trochanteric pain syndrome and the rarity of primary bursitis. American Journal of Roentgenology, 2013;201(5):1083-1086. Link
  3. Grimaldi A, Mellor R, Hodges P, et al. Gluteal Tendinopathy: A Review of Mechanisms, Assessment and Management. Sports Medicine, 2015;45(8):1107-1119. Link
  4. Mellor R, Bennell K, Grimaldi A, et al. Education plus exercise versus corticosteroid injection use versus a wait and see approach on global outcome and pain from gluteal tendinopathy: prospective, single blinded, randomised clinical trial. BMJ, 2018;361:k1662. Link
  5. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management (NG226). NICE, 2022. Link
  6. Vickers AJ, Vertosick EA, Lewith G, et al. Acupuncture for chronic pain: update of an individual patient data meta-analysis. The Journal of Pain, 2018;19(5):455-474. Link

Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

A causa mais comum é a tendinopatia glútea, parte da chamada síndrome dolorosa do grande trocânter, antes conhecida como bursite trocantérica. Os tendões do glúteo médio e mínimo se prendem no osso da lateral do quadril, e deitar sobre eles, ou com a perna de cima caída para frente, comprime essa região. A dor fica na lateral do quadril e pode descer pela coxa.
Na maioria das vezes, a dor na lateral do quadril que piora ao deitar sobre ela vem dos tendões glúteos. Em um estudo com 877 pacientes com esse tipo de dor, só cerca de 20% tinham bursite no ultrassom. A artrose do quadril costuma doer mais na virilha, dar rigidez e limitar a rotação da perna. Só o exame médico separa as duas com segurança.
Evitar deitar sobre o lado dolorido é o primeiro passo. Se deitar sobre o lado bom, coloque um travesseiro firme entre os joelhos para que a perna de cima não caia para frente e comprima o tendão. Dormir de barriga para cima, com um travesseiro sob os joelhos, também costuma ser bem tolerado.
A infiltração com corticoide pode aliviar a dor no curto prazo, e essa é uma decisão do seu médico. No estudo LEAP, publicado no BMJ em 2018, educação sobre carga mais exercícios teve resultados melhores que a infiltração em oito semanas; em um ano, o grupo do exercício relatou mais melhora global, embora a intensidade da dor tenha ficado parecida entre os dois grupos.
Tendões respondem devagar. No estudo LEAP, o programa de exercício durou oito semanas, com 14 sessões, e a maioria dos participantes relatou melhora ao fim desse período. Ajustar posições e cargas do dia a dia costuma ajudar o sono antes disso. O tempo varia com a idade, o nível de atividade e há quanto tempo a dor existe.
Nem sempre. Alongamentos que cruzam a perna por cima da outra, muito comuns para a banda iliotibial, levam o quadril a uma posição que comprime justamente o tendão irritado e podem piorar a dor. Por isso é melhor ter orientação antes de montar uma rotina de alongamento por conta própria.

Quer voltar a dormir a noite inteira?

A avaliação funcional olha o quadril, a pelve, a lombar e a sua forma de pisar para entender o que pode estar sobrecarregando o tendão. Agende na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte.

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