Sim, emagrecer com Mounjaro (tirzepatida) ou Ozempic e Wegovy (semaglutida) pode levar à perda de massa muscular junto com a gordura. Nos subestudos de composição corporal dos grandes ensaios clínicos, entre cerca de 26% e 40% do peso perdido foi massa magra — que inclui músculo, mas também água e órgãos. Treino de força, proteína adequada definida com médico ou nutricionista e atenção à postura ajudam a preservar o músculo que sustenta coluna, quadris e joelhos.
A cena é cada vez mais comum. Em poucos meses, a calça sobra, os exames melhoram, os amigos elogiam. Mas, junto com a conquista, aparece algo que ninguém avisou: subir a escada da garagem cansa mais, a lombar reclama no fim do dia, o joelho range no agachamento. Muitos pacientes chegam dizendo: "Estou mais leve, mas me sinto mais fraco".
Essa sensação merece atenção. E, na maioria das vezes, dá para agir sobre ela.
O que são as canetas emagrecedoras?
São medicamentos injetáveis que imitam hormônios intestinais ligados à saciedade. A semaglutida (Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy, para obesidade) age no receptor do GLP-1. A tirzepatida (Mounjaro) age em dois receptores, o do GLP-1 e o do GIP. Ambas reduzem o apetite, retardam o esvaziamento do estômago e ajudam a controlar a glicose.
No Brasil, a Anvisa aprovou o Mounjaro para o tratamento da obesidade e do sobrepeso com comorbidades em 9 de junho de 2025. Até então, ele era aprovado no país apenas para diabetes tipo 2. Todos esses medicamentos exigem receita e acompanhamento médico.
Os resultados são expressivos. No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, com 1.961 adultos sem diabetes, quem usou semaglutida 2,4 mg semanal, junto com orientação de estilo de vida, perdeu em média 14,9% do peso corporal em 68 semanas, contra 2,4% no grupo placebo.
Esses medicamentos representam um avanço real no tratamento da obesidade, que é uma doença crônica. O ponto deste texto não é questionar o uso, e sim chamar atenção para algo que costuma ficar de fora da conversa: a qualidade do peso que se perde.
Quanto do peso perdido com Mounjaro e Ozempic é músculo?
Parte dos participantes dos principais estudos fez DXA, o exame de densitometria de corpo inteiro que separa gordura, massa magra e osso.
| Estudo | Medicamento | Perda de peso média no subestudo | Parte do peso perdido que foi massa magra |
|---|---|---|---|
| STEP 1 (subestudo DXA) | Semaglutida 2,4 mg | cerca de 17 kg (soma de gordura e massa magra) em 68 semanas | cerca de 40% (6,9 kg de massa magra e 10,4 kg de gordura) |
| SURMOUNT-1 (subestudo DXA, 160 pessoas) | Tirzepatida 5, 10 ou 15 mg | 21,3% do peso em 72 semanas | cerca de 26% (5,6 kg de massa magra e 15,9 kg de gordura) |
Três cuidados na leitura:
- Massa magra não é sinônimo de músculo. No DXA, ela é tudo o que não é gordura nem osso: músculo, mas também água, órgãos e outros tecidos. Uma revisão publicada em 2024 na revista Diabetes, Obesity and Metabolism lembra exatamente isso e mostra que os números variam muito entre estudos.
- A proporção não aparece só com as canetas. No SURMOUNT-1, o grupo placebo, que emagreceu bem menos, perdeu massa magra em proporção parecida (cerca de 25%). Ou seja, todo emagrecimento leva algum músculo junto; com as canetas, como a perda total é maior, a quantidade absoluta também é.
- Os estudos não são comparáveis entre si. Populações, doses e métodos diferem, então a tabela não serve para dizer qual medicamento "preserva mais músculo".
Quem tem mais risco de perder músculo?
Um consenso publicado em 2025 por quatro sociedades americanas de nutrição, obesidade e medicina do estilo de vida aponta maior risco de perda muscular e de sarcopenia em quem:
- tem mais idade;
- está na perimenopausa ou na menopausa;
- tem testosterona baixa;
- é sedentário ou não faz treino de força;
- come pouca proteína por causa da falta de apetite.
A partir dos 40, 50 anos, o corpo já tende a perder massa e força muscular com o passar do tempo. Somar a isso um emagrecimento rápido sem estímulo de força é o cenário que mais preocupa.
Por que perder músculo afeta a coluna, os joelhos e o equilíbrio?
Músculo não é estética. É estrutura.
- Coluna: os músculos do abdômen profundo, das costas e do quadril funcionam como um colete natural. Quando enfraquecem, discos e articulações tendem a receber mais carga. Não por acaso, é comum ouvirmos no consultório queixas de dor lombar que surgiram durante o emagrecimento.
- Postura: com menos sustentação, o corpo tende a "afundar" — ombros para a frente, cabeça projetada, pelve desalinhada.
- Joelhos: o quadríceps, na frente da coxa, ajuda a absorver impacto. Mais fraco, ele protege menos a articulação.
- Equilíbrio e quedas: força nas pernas e reação rápida são o que segura você quando tropeça na calçada. O consenso de 2025 lembra que pouca massa muscular e óssea se associa a mais quedas, fraturas e incapacidade.
- Metabolismo: músculo é tecido metabolicamente ativo. Preservá-lo ajuda a manter o peso perdido.
Como saber se estou perdendo músculo?
A balança não mostra. Alguns sinais práticos merecem atenção e devem ser levados ao médico:
- dificuldade nova para levantar da cadeira sem usar as mãos;
- escadas que antes eram fáceis e agora cansam as pernas;
- perda de força para carregar compras ou malas;
- sensação de desequilíbrio ou tropeços mais frequentes.
O médico pode pedir exames de composição corporal, como bioimpedância ou DXA, e testes de força. Na avaliação funcional, o Fábio observa como você levanta, agacha, pisa e se equilibra — dados que complementam, sem substituir, a avaliação médica.
O peso volta quando para a caneta?
Muitas vezes, sim. Na extensão do estudo STEP 1, publicada em 2022 com 327 participantes, um ano após interromper a semaglutida e o programa de estilo de vida, quem havia usado o medicamento recuperou cerca de dois terços do peso que tinha perdido. Os ganhos em pressão, colesterol e glicose também tenderam a voltar ao ponto de partida.
Os autores concluíram que esses achados confirmam que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento contínuo costuma ser necessário. Por isso, proteger o músculo desde o primeiro mês faz sentido para qualquer cenário futuro — manter, ajustar ou suspender o medicamento.
Essa decisão é sempre do médico. Nunca interrompa por conta própria.
Como preservar músculo durante o emagrecimento?
- Converse com seu médico antes de começar o plano de exercícios. Ele conhece suas condições e ajusta o tratamento.
- Faça treino de força com regularidade. O consenso de 2025 sugere treino de força pelo menos três vezes por semana, somado a pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica moderada. Pernas, quadril, costas e tronco são prioridade. O ideal é ter orientação de um profissional de educação física.
- Inclua proteína suficiente — com orientação. Com o apetite reduzido, é fácil comer pouca proteína. A literatura propõe metas acima da recomendação habitual durante o emagrecimento, mas o valor certo para você depende de peso, rins, idade e outras condições: quem define é o nutricionista ou o médico. E proteína sozinha, sem treino de força, provavelmente não basta.
- Durma bem. O sono é parte da recuperação muscular.
- Monitore a composição corporal, não só a balança. Bioimpedância ou DXA, a critério do médico, mostram o que está saindo.
- Cuide da dor antes que ela tire você do treino. Uma lombar ou um joelho doloridos estão entre os motivos mais comuns para abandonar o exercício.
- Avalie postura e pisada. O corpo muda de forma rápida, e as compensações também.
O que não ajuda?
- Contar só a balança. Perder 10 kg com muita perda de músculo não é o mesmo que perder 10 kg principalmente de gordura.
- Fazer apenas caminhada. É ótima para o coração, mas não substitui o estímulo do treino de força.
- Suplementar por conta própria. Shakes e suplementos podem ter lugar, mas devem ser indicados por quem acompanha seus exames.
- Esperar a dor passar sozinha parando de treinar. Inatividade acelera justamente a perda que se quer evitar.
Onde entra a avaliação funcional?
Durante um emagrecimento acelerado, o corpo precisa se reorganizar: o centro de gravidade muda, a pisada muda, a postura muda. É comum surgirem dores que não existiam, justamente quando a pessoa mais precisa estar ativa.
Na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte, a avaliação funcional observa como você se movimenta, onde há perda de estabilidade e quais compensações estão sobrecarregando coluna, quadril ou joelhos. Dependendo do caso, e sempre a partir dessa avaliação individual, o Fábio pode combinar quiropraxia, New Seitai, acupuntura e orientações para que você siga treinando com conforto. Ele trabalha com tratamento combinado, e não com uma técnica isolada. Se a dor é nas costas, o texto a dor lombar não começa na lombar explica por que olhamos para o corpo inteiro.
O New Seitai é uma técnica de origem japonesa, conhecida como quiropraxia japonesa. Antes de intervir, faz uma leitura do corpo inteiro: postura, apoio e as cadeias de compensação que ligam regiões distantes. Os ajustes são suaves e precisos, conduzidos com um pequeno instrumento de madeira, sem torções bruscas e sem depender do "estalo", e se adaptam à idade, ao histórico e às condições de cada paciente.
Esse trabalho é complementar. Quem prescreve o medicamento e acompanha os exames é o médico; quem define a dieta é o nutricionista; quem conduz o treino é o profissional de educação física.
E o Método Metsū, onde ele se encaixa?
Muitas pessoas que buscam emagrecer também lidam com ansiedade, compulsão alimentar e retenção de líquidos. O Método Metsū, criado por Fábio Pense Duarte, é uma técnica integrativa complementar: consiste no implante de pequenos fios absorvíveis em pontos específicos do corpo, na mesma lógica dos pontos de acupuntura, com ação prolongada, como apoio à regulação do apetite, da ansiedade, da compulsão e da retenção de líquidos.
O Metsū entra como apoio e se soma ao que já está em andamento: o medicamento prescrito, a dieta, o treino e o acompanhamento médico seguem sob a orientação de quem os conduz, e ele não substitui o médico. Foi desenvolvido a partir da formação de Fábio em acupuntura, no Brasil e na China, e de anos de observação clínica, e costuma ser integrado a outras técnicas, como acupuntura e quiropraxia, quando o caso pede. O protocolo é definido na avaliação com o Fábio, e a resposta varia de pessoa para pessoa. Pode fazer sentido, por exemplo, para quem já está em tratamento médico e sente que a ansiedade continua atrapalhando a rotina. Gestantes e pessoas com distúrbios de coagulação ou alterações de pele na área precisam de avaliação específica.
Quando procurar um médico
Procure seu médico, de preferência antes de mudar qualquer coisa no tratamento, se houver:
- Fraqueza que piora semana a semana ou dificuldade para levantar da cadeira sem apoio.
- Quedas ou sensação frequente de desequilíbrio.
- Tontura, palpitação ou desmaio.
- Dor abdominal intensa e persistente, principalmente com vômitos ou irradiando para as costas (pode indicar pancreatite ou problema na vesícula) — procure atendimento no mesmo dia.
- Náuseas, vômitos ou diarreia que impedem de comer ou beber o suficiente (risco de desidratação).
- Perda de peso muito mais rápida do que o combinado com o médico.
- Dor nas costas com perda de força nas pernas, dormência na região genital ou alteração urinária — nesse caso, procure atendimento imediato. Em emergência, ligue para o SAMU (192).
Quem conduz o cuidado na clínica
Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais. Tem 22 anos de prática, formação no Brasil e duas imersões na China, em 2010 e 2019, já formou mais de 12 mil profissionais e tem registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico e não prescreve medicamentos, exames ou dietas. A clínica trabalha em conjunto com o médico de cada paciente.
O atendimento é particular, sem pacotes obrigatórios, com horários a partir das 6h — útil para quem treina ou trabalha cedo. A primeira consulta é uma avaliação funcional detalhada, com tratamento já na mesma sessão quando o Fábio julgar pertinente para o seu caso.
Em resumo
- Mounjaro, Ozempic e Wegovy são avanços reais no tratamento da obesidade, sempre com acompanhamento médico.
- Nos subestudos com DXA, entre cerca de 26% e 40% do peso perdido foi massa magra, que inclui músculo, água e órgãos.
- Idade, menopausa, sedentarismo e pouca proteína aumentam o risco de perder músculo.
- Treino de força regular e proteína adequada, com orientação profissional, são os pilares para preservar músculo.
- Ao parar o medicamento, parte importante do peso costuma voltar; a decisão é sempre médica.
- A avaliação funcional e um tratamento combinado, definido caso a caso, podem ajudar a manter você ativo e com menos dor durante o processo.
Um próximo passo possível
Emagrecer deveria deixar você mais livre para viajar, jogar, brincar com os netos — não mais frágil. Se você está usando ou vai começar uma caneta emagrecedora e quer cuidar da postura e da força nesse caminho, agende uma avaliação na Clínica Fábio Pense, em Lourdes.
Referências
- Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP 1). New England Journal of Medicine, 2021. Link
- Look M, Dunn JP, Kushner RF, et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2025. Link
- Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2022. Link
- Neeland IJ, Linge J, Birkenfeld AL. Changes in lean body mass with glucagon-like peptide-1-based therapies and mitigation strategies. Diabetes, Obesity and Metabolism, 2024. Link
- Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. Obesity Pillars, 2025. Link
- Conselho Federal de Farmácia. Anvisa aprova Mounjaro para tratamento de obesidade e sobrepeso no Brasil. CFF, 9 jun. 2025. Link
Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.