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Dor Crônica

Dor crônica: o que fazer quando a dor não passa

Leitura de 10 min · 06 de outubro de 2026 · Por Fábio Pense Duarte, pioneiro do New Seitai em MG
Ambiente interno da Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte, onde são feitas as avaliações funcionais

Dor crônica é a dor que persiste ou volta por mais de três meses, segundo a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP). Ela costuma não passar porque, com o tempo, o sistema nervoso pode ficar mais sensível e amplificar a dor, mesmo quando o tecido já cicatrizou. O que fazer: investigar a causa com o médico e seguir um plano combinado, com movimento gradual, sono, manejo do estresse e, em alguns casos, acupuntura e terapia manual.

Talvez você conheça bem a cena. Você acorda e, antes mesmo de abrir os olhos, já sabe que ela está lá. A lombar, o pescoço, o ombro. Já fez exame, já tomou anti-inflamatório, já ouviu "está tudo normal". E a dor continua ali, como um ruído de fundo que nunca desliga.

Este texto não promete solução rápida. Ele explica o que muda no corpo quando a dor se torna crônica, o que as diretrizes recomendam e o que costuma não ajudar.

O que é dor crônica, afinal?

A definição é simples: dor que persiste ou se repete por mais de três meses. É o critério da IASP, desenvolvido em cooperação com a Organização Mundial da Saúde para a CID-11, a classificação internacional de doenças.

E não é rara. A IASP estima que cerca de 20% das pessoas no mundo convivem com dor crônica. No Brasil, uma revisão sistemática de 35 estudos, publicada em 2021 no BrJP, a revista da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), encontrou uma prevalência média em torno de 45%, com as mulheres mais afetadas. Os estudos usam métodos e populações diferentes, por isso o número é uma estimativa, mas o recado é claro.

Se você convive com dor há meses, está longe de ser exceção.

Quais são os tipos de dor crônica?

A classificação da IASP para a CID-11 separa dois grandes grupos:

A distinção importa porque o tratamento muda. Na dor secundária, tratar a doença de base é parte central do plano. Quem faz esse diagnóstico é o médico.

Por que a dor não passa se o exame está normal?

É uma das perguntas mais comuns no consultório da Clínica Fábio Pense. E a resposta está no sistema nervoso, não só no músculo ou na articulação.

Pense na dor como um alarme. Na dor aguda, como uma torção de tornozelo, o alarme dispara porque há lesão. A lesão cicatriza, o alarme desliga.

Na dor crônica, algo diferente pode acontecer. Os neurônios das vias da dor podem ficar mais excitáveis, e estímulos que antes eram neutros, como ficar sentado uma hora ou dormir de lado, passam a ser sentidos como dor. Os pesquisadores chamam isso de sensibilização central. Revisões descrevem esse fenômeno em quadros como fibromialgia, artrose, dor de cabeça e disfunção da ATM, e trazem um ponto importante: do ponto de vista biológico, é um processo potencialmente reversível.

Alguns fatores que costumam manter esse ciclo:

Nada disso significa que a dor é "coisa da sua cabeça". A dor é real. O que muda é que o tecido deixa de ser a única peça do quebra-cabeça, e por isso tratar só o local costuma dar alívio curto.

Se a sua dor parece "mudar de lugar" ou voltar sempre do mesmo jeito, vale ler também o nosso texto sobre por que a dor sempre volta, que fala das compensações do corpo.

O que você perde quando a dor vira rotina

É fácil se acostumar. A pessoa deixa de jogar tênis "por enquanto". Desiste da viagem longa porque o voo é desconfortável. Para de pegar o neto no colo. Passa a escolher restaurante pela cadeira.

Cada adaptação parece pequena. Somadas ao longo de cinco ou dez anos, elas significam menos força, menos equilíbrio, menos disposição e um mundo que vai encolhendo.

A boa notícia é que um sistema nervoso que ficou sensível também pode, em muitos casos, voltar a se acalmar. É nisso que se apoia a abordagem moderna.

Dor crônica: o que fazer, segundo as diretrizes?

A diretriz NG193 do NICE, órgão que orienta o sistema de saúde do Reino Unido, publicada em 2021, trata da dor crônica primária. As principais recomendações são:

A mesma diretriz orienta não iniciar, para dor crônica primária, paracetamol, anti-inflamatórios, opioides, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes como gabapentina e pregabalina, antipsicóticos e injeções de corticoide em pontos-gatilho, por falta de evidência de benefício. Quem já usa algum deles deve revisar com o médico, numa decisão compartilhada. Nunca suspenda um remédio por conta própria.

Na prática, a abordagem multimodal combina várias frentes:

Frente O que faz Exemplo prático
Movimento gradual Mostra ao corpo que mover é seguro Caminhadas curtas que aumentam aos poucos
Sono Ajuda a recuperar a tolerância à dor Horário regular, quarto escuro, menos tela à noite
Abordagem psicológica Reduz o sofrimento e o medo ligados à dor Terapia cognitivo-comportamental ou de aceitação e compromisso
Acupuntura Pode reduzir a intensidade da dor Curso de sessões com reavaliação
Terapias manuais e complementares Podem aliviar tensão e melhorar a mobilidade Quiropraxia, New Seitai, ventosaterapia, conforme a avaliação
Acompanhamento médico Investiga causas e decide sobre medicação Clínico, ortopedista, reumatologista ou médico da dor

E a acupuntura, tem evidência mesmo?

Ela é uma das terapias complementares mais estudadas na dor crônica. Uma meta-análise publicada no Journal of Pain em 2018, liderada por Andrew Vickers, reuniu dados individuais de 20.827 pacientes em 39 ensaios clínicos de dor musculoesquelética, artrose, cefaleia crônica e dor no ombro.

O resultado: a acupuntura foi superior tanto à acupuntura simulada quanto à ausência de acupuntura, nos quatro tipos de dor estudados. E o benefício foi duradouro: cerca de 85% do efeito do tratamento se mantinha um ano depois. Somada à diretriz NG193 do NICE, que permite considerar um curso de acupuntura na dor crônica primária, é uma base sólida para incluí-la num plano de cuidado.

Na Clínica Fábio Pense, a acupuntura chinesa e japonesa entra dentro de um tratamento combinado: o Fábio não trabalha com uma técnica isolada e, dependendo do caso e da avaliação individual, pode integrá-la à quiropraxia, ao New Seitai e a outras técnicas, reavaliando a resposta ao longo das sessões.

O que costuma não ajudar (e alguns mitos)

Passo a passo: por onde começar

  1. Converse com o seu médico para descartar causas que pedem tratamento específico.
  2. Registre a dor por duas semanas: horário, intensidade de 0 a 10, o que piora e o que alivia.
  3. Escolha um movimento possível hoje, mesmo pequeno, e repita todos os dias.
  4. Cuide do sono como parte do tratamento, não como detalhe.
  5. Faça uma avaliação funcional para entender padrões de movimento e compensação que o exame de imagem não mostra.
  6. Monte um plano com reavaliações: o que funciona continua, o que não funciona sai.

A avaliação funcional é justamente a etapa que muita gente pula. Ela observa como você se move, onde o corpo compensa e o que pode estar mantendo o ciclo ativo.

Como é o cuidado na Clínica Fábio Pense

Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais e atua há 22 anos com terapias manuais e medicina tradicional chinesa. Tem formação no Brasil, duas imersões na China (2010 e 2019) e formação WFAS-China, já formou mais de 12 mil profissionais e tem registro CNAA-MG 2234.

A primeira consulta é uma avaliação funcional detalhada, com tratamento na mesma sessão quando faz sentido. A partir dela, e de acordo com o que cada caso pede, o Fábio define quais técnicas combinar e com que frequência. O atendimento é particular, sem pacotes obrigatórios, e o plano é revisto conforme a resposta de cada pessoa.

Um ponto importante: Fábio Pense Duarte não é médico. O trabalho da clínica é complementar e acontece em conjunto com o médico que acompanha você. Muitos pacientes relatam que essa combinação trouxe o que faltava: alguém com tempo para ouvir a história inteira.

Se a dor é espalhada pelo corpo, com cansaço e exames normais, leia também sobre o que ajuda na fibromialgia.

Quando procurar um médico

A dor crônica merece acompanhamento médico regular. Mas alguns sinais pedem avaliação rápida, sem esperar a próxima consulta:

Vá ao pronto-socorro imediatamente se houver perda de controle da urina ou das fezes, dormência na região genital ou fraqueza súbita nas pernas. Em emergência, ligue para o SAMU (192).

Em resumo

Um próximo passo possível

Conviver com dor por meses cansa, e não só o corpo. Se você quer entender o que mantém a sua dor ativa e montar um plano realista, agende uma avaliação na Clínica Fábio Pense, na Rua Espírito Santo, 2727, em Lourdes, Belo Horizonte. Os horários começam às 6h, de segunda a sexta, para quem precisa encaixar o cuidado antes do trabalho.

Referências

  1. Treede RD, Rief W, Barke A, et al. Chronic pain as a symptom or a disease: the IASP Classification of Chronic Pain for the International Classification of Diseases (ICD-11). Pain, 2019. Link
  2. International Association for the Study of Pain (IASP). ICD-11 Pain Classification. Link
  3. Aguiar DP, Souza CPQ, Barbosa WJM, Santos-Júnior FFU, Oliveira AS. Prevalência de dor crônica no Brasil: revisão sistemática. BrJP, 2021. Link
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Chronic pain (primary and secondary) in over 16s: assessment of all chronic pain and management of chronic primary pain (NG193). NICE, 2021. Link
  5. Woolf CJ. Central sensitization: implications for the diagnosis and treatment of pain. Pain, 2011. Link
  6. Finan PH, Goodin BR, Smith MT. The association of sleep and pain: an update and a path forward. The Journal of Pain, 2013. Link
  7. Vickers AJ, Vertosick EA, Lewith G, et al. Acupuncture for Chronic Pain: Update of an Individual Patient Data Meta-Analysis. The Journal of Pain, 2018. Link

Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Pela classificação da Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), adotada na CID-11 da Organização Mundial da Saúde, dor crônica é aquela que persiste ou volta por mais de três meses. Em alguns casos, como na fibromialgia, ela é considerada um problema de saúde por si só, e não apenas sintoma de outra doença.
O primeiro passo é uma avaliação médica para descartar causas que pedem tratamento específico. Depois, as diretrizes recomendam um plano combinado: exercício orientado, cuidado com o sono, abordagem psicológica quando indicada e, em alguns casos, acupuntura. Registrar a dor por duas semanas ajuda o médico e os demais profissionais a entender o padrão.
Porque a dor não depende só de lesão no tecido. Com o tempo, o sistema nervoso pode ficar mais sensível e amplificar sinais que antes eram neutros, um processo chamado sensibilização central. Por isso é possível sentir dor real mesmo com exames de imagem sem alterações que expliquem a intensidade dela.
Não. A dor é real e envolve nervos, medula e cérebro. O que acontece é que sono, estresse, medo de se mover e humor influenciam a forma como o sistema nervoso processa a dor. Por isso a terapia cognitivo-comportamental e a terapia de aceitação e compromisso aparecem nas diretrizes como parte do tratamento, junto com movimento e cuidado médico.
Depende da causa. Em muitos casos não há cura, e o objetivo realista é reduzir a intensidade da dor e devolver função e qualidade de vida. Muitas pessoas conseguem voltar a fazer o que gostam com uma abordagem que combina movimento, sono, manejo do estresse e tratamentos complementares, sempre com acompanhamento médico.
Estudos mostram benefício. Uma meta-análise com dados individuais de 20.827 pacientes, publicada no Journal of Pain em 2018, mostrou que a acupuntura foi superior tanto à acupuntura simulada quanto à ausência de acupuntura em dor musculoesquelética, artrose, cefaleia crônica e dor no ombro, e que boa parte do efeito se manteve após um ano. A diretriz do NICE, do Reino Unido, permite considerar um curso de acupuntura na dor crônica primária. Na Clínica Fábio Pense, ela entra combinada a outras técnicas, conforme a avaliação de cada caso.
Não por conta própria. Qualquer mudança de medicação deve ser decidida com o médico que a prescreveu. As terapias complementares podem caminhar junto com o tratamento médico, e é o seu médico quem avalia, ao longo do tempo, se algo pode ser ajustado.

Sua dor já passou dos três meses?

Uma avaliação funcional detalhada ajuda a entender o que mantém a dor ativa e a montar um plano individual, em conjunto com o seu médico. Agende na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte, com horários a partir das 6h.

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