As lesões mais comuns no beach tennis são a epicondilite lateral do cotovelo e as tendinopatias do ombro, seguidas por entorses de joelho e tornozelo. Em um estudo brasileiro com 698 praticantes, 377 (cerca de 54%) relataram alguma lesão, e a proporção foi maior acima dos 50 anos, em quem jogava com mais frequência, por mais horas seguidas e em quem já tinha se lesionado antes. A prevenção passa por aumentar o volume aos poucos, fortalecer os tendões que mais trabalham e não ignorar dores que persistem.
Talvez você conheça o roteiro. Começou a jogar com os amigos no fim de semana. Em três meses, já eram três vezes por semana. Depois veio o torneio do clube, a aula das 7h antes do escritório, a partida que vira duas, que vira três. E um dia, ao abrir a garrafa d'água ou apertar a mão de um cliente, aquela fisgada na parte de fora do cotovelo.
O beach tennis conquistou Belo Horizonte — quadras de areia no meio da cidade, em Nova Lima, nos clubes. E tem tudo para fazer bem: é social, divertido, aeróbico. A questão é que o corpo adulto se adapta ao esporte mais devagar do que o entusiasmo.
Por que o beach tennis machuca tanto quem começa depois dos 35?
Três características do jogo explicam a maior parte das lesões:
- A raquete é sólida e o punho trabalha o tempo todo. Diferente do tênis, a raquete não tem cordas. Segurar firme, girar e estabilizar o punho a cada golpe sobrecarrega os extensores do punho, cujo tendão se prende na parte de fora do cotovelo.
- O jogo é perto da rede e rápido. Voleios curtos, reflexos, bola na altura do rosto — muitos golpes por minuto, com pouco tempo de recuperação entre eles.
- A areia é instável. Ela poupa impacto, mas o pé afunda e gira. Mudanças bruscas de direção exigem muito de joelho, tornozelo e panturrilha.
Some a isso um fator muito humano: o volume sobe rápido demais. O fôlego melhora relativamente rápido; os tendões costumam precisar de mais tempo para tolerar uma carga nova. No estudo brasileiro citado abaixo, todas as medidas de maior exposição — mais anos de prática, mais dias por semana, partidas mais longas — se associaram a mais lesões.
O que os estudos mostram sobre as lesões no beach tennis?
O esporte é jovem, mas já há dados brasileiros interessantes.
Um estudo transversal publicado na Acta Ortopédica Brasileira em 2024 (Rodrigues e colaboradores) aplicou um questionário on-line a 698 praticantes. Desses, 377 (cerca de 54%) relataram ao menos uma lesão. A tabela mostra a porcentagem dos 698 participantes que citou cada local:
| Região | % dos praticantes que relataram lesão no local | Tipo mais citado |
|---|---|---|
| Cotovelo | 23,4% | Tendinite (epicondilite) |
| Ombro | 14,0% | Tendinopatia |
| Joelho | 11,7% | Entorse e contusão |
| Tornozelo | 8,9% | Entorse |
| Pé | 8,9% | Entorse |
| Panturrilha | 7,4% | Lesão muscular |
Como é um levantamento por questionário, os dados mostram associações, e não causa e efeito.
O mesmo estudo mostrou um dado que conversa diretamente com quem tem mais de 40 anos: relataram lesão 26,1% dos jogadores com menos de 30 anos, 51,2% dos que tinham entre 30 e 50 e 61,8% dos acima de 50. A proporção também chegou a 66,2% entre quem jogava de 5 a 7 vezes por semana e a 67,1% entre quem fazia partidas de mais de 3 horas. E, entre quem já tinha uma lesão anterior, 74,9% tiveram uma nova lesão no beach tennis.
Um segundo estudo brasileiro, com cerca de 140 praticantes da Grande Florianópolis, publicado na revista Fisioterapia e Pesquisa em 2024 (Fonseca e colaboradores), chegou a um quadro parecido: 30,7% dos participantes relataram lesões; o cotovelo respondeu por 26,8% delas e o ombro por 13%, e 90% das lesões de cotovelo eram tendinopatia lateral (epicondilite).
Um detalhe honesto do estudo maior: alongar antes e depois do jogo e fazer musculação não apareceram como fatores de proteção estatisticamente significativos. Isso não quer dizer que não sirvam — o próprio artigo lembra que o treino de força bem orientado é defendido na prevenção de lesões. Sugere que, nesse grupo, volume de jogo e histórico de lesão pesaram mais do que simplesmente fazer ou não fazer academia.
Quais são as lesões mais comuns, região por região?
Cotovelo — epicondilite lateral ("cotovelo de tenista"). Dor na parte de fora do cotovelo ao segurar, torcer ou apertar, às vezes com sensibilidade ao toque e dificuldade para esticar o braço por completo. Costuma piorar no backhand e ao levantar objetos com a palma para baixo. Começa leve e muitas vezes é ignorada por semanas.
Ombro — tendinopatia do manguito rotador. Dor na frente ou na lateral do ombro ao sacar, fazer o smash ou alcançar a bola acima da cabeça. Às vezes incomoda à noite ao deitar sobre o lado. Na avaliação, é comum encontrarmos escápula pouco estável e coluna torácica rígida associadas — o assunto é aprofundado em tendinite e dor no ombro.
Joelho e tornozelo — entorses. O pé afunda, o corpo gira, a articulação torce. Quadril fraco e pouco controle de aterrissagem aumentam o risco.
Panturrilha — lesão muscular. A sensação de "pedrada na perna" ao arrancar para uma bola curta. No estudo da Acta, 7,4% dos praticantes relataram lesão na panturrilha.
Coluna. Cervical e lombar apareceram, cada uma, em 6,9% dos relatos. Rotação repetida do tronco e muitas horas inclinado no jogo de rede somam, especialmente para quem já tem histórico de dor nas costas.
Como saber se é lesão e quem faz o diagnóstico?
Dor que some no dia seguinte costuma ser só cansaço muscular. Já dor que se repete no mesmo ponto, que aparece mais cedo a cada partida ou que dura mais de duas semanas apesar do descanso merece avaliação.
O diagnóstico é médico — em geral feito pelo ortopedista ou médico do esporte, pelo exame físico e pela história. Exames de imagem, como ultrassom ou ressonância, entram quando há suspeita de ruptura, quando a dor não melhora com o tratamento inicial ou quando há dúvida sobre outra causa, como compressão de nervo vinda do pescoço. Na Clínica Fábio Pense, a avaliação é funcional: olha mobilidade, força e compensações, e não substitui esse diagnóstico.
Como prevenir sem largar a quadra?
Um passo a passo realista para quem quer jogar por muitos anos:
- Aumente o volume aos poucos. Não existe um percentual definido por estudos. A famosa "regra dos 10% por semana" é uma convenção de treino, não um dado científico: em um ensaio clínico com 532 corredores iniciantes, seguir essa regra não reduziu as lesões. O princípio que vale é o gradualismo — subir um degrau (mais um dia, ou mais meia hora) e observar como o corpo responde por uma ou duas semanas antes do próximo.
- Limite a duração das sessões. No estudo brasileiro, jogar mais de 3 horas por vez esteve associado a mais lesões.
- Aqueça de forma progressiva. Alguns minutos de movimento de ombros, punhos, quadril e tornozelos antes de bater forte. É uma medida simples e de bom senso, ainda que não tenha sido testada especificamente no beach tennis.
- Fortaleça os músculos que mais trabalham. Extensores do punho, manguito rotador, músculos da escápula, glúteos e panturrilha. Exercícios de fortalecimento e alongamento fazem parte do tratamento da epicondilite recomendado pelo NHS.
- Cuide da mobilidade da coluna torácica. Ela participa do movimento de levar o braço acima da cabeça; quando está rígida, é comum o ombro compensar.
- Respeite a dor que fica. Dor que persiste no dia seguinte, ou que aparece mais cedo a cada partida, é um sinal prático de que a carga está acima do que o tendão tolera no momento.
- Revise o equipamento e a técnica com um professor. Peso da raquete, empunhadura e técnica do golpe são pontos que costumam ser ajustados quando o cotovelo reclama.
O que não ajuda (e alguns mitos)
- "Repouso absoluto até passar." Em tendinopatias, parar tudo alivia, mas não prepara o tendão para voltar; o retorno costuma reacender a dor. O NHS recomenda evitar o que piora e incluir exercícios.
- "Se não dói no repouso, já posso voltar com tudo." Ausência de dor parado não significa que o tendão já tolera o jogo.
- "Cotoveleira resolve." A tira de apoio pode aliviar sintomas em algumas pessoas, mas não substitui ajuste de carga e fortalecimento.
- "Areia não machuca porque é macia." Ela reduz o impacto, mas aumenta a instabilidade — e entorses estão entre as lesões mais relatadas.
- "Quem faz academia está protegido." No estudo com 698 praticantes, musculação sozinha não apareceu como proteção estatisticamente significativa.
E quando a lesão já chegou: como voltar a jogar?
O erro mais comum é voltar quando a dor some no repouso, mas antes de o tendão tolerar carga. A recaída costuma vir em duas ou três partidas.
Um retorno mais seguro costuma seguir etapas:
- controlar a dor e reduzir o volume, sem necessariamente parar tudo;
- recuperar força e resistência do tendão com exercícios progressivos;
- treinar os gestos do jogo em intensidade baixa — paredão, troca de bola sem pontuação;
- voltar às partidas com tempo limitado e aumento gradual.
Em lesões mais sérias, como ruptura de tendão ou instabilidade do joelho após entorse, o ortopedista do esporte precisa estar no comando. O NHS indica que a cirurgia para epicondilite só costuma ser considerada quando a dor persiste por muitos meses apesar do tratamento conservador.
Onde a Clínica Fábio Pense entra?
Na avaliação funcional, o Fábio olha o atleta inteiro, não só o cotovelo que dói. É comum ouvirmos no consultório que "o cotovelo começou a doer depois que o ombro travou". Na nossa observação clínica, compensações em cadeia são frequentes — ombro rígido sobrecarregando o punho, quadril fraco deixando o joelho mais exposto —, e por isso o conjunto é avaliado.
O Fábio trabalha com tratamento combinado: não usa uma técnica isolada, e sim integra recursos diferentes conforme o caso. Dependendo do que a avaliação individual mostrar, o plano pode incluir:
- Quiropraxia e New Seitai (técnica japonesa de ajustes suaves com um pequeno instrumento de madeira) para ajudar na mobilidade da coluna torácica, do ombro e da pelve;
- Acupuntura e ventosaterapia como apoio no manejo da dor e da tensão muscular, caminhando junto com o fortalecimento;
- Análise da pisada com baropodometria e, quando indicado, palmilhas 3D sob medida para o dia a dia, a corrida ou outros esportes em piso firme (na areia, normalmente se joga descalço);
- Orientação de carga, junto com o seu professor e, se houver, o seu preparador físico.
Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais, tem 22 anos de prática, formação no Brasil e duas imersões na China, mais de 12 mil profissionais formados e registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico: lesões que exigem exame de imagem, infiltração ou cirurgia ficam com o ortopedista, e a clínica trabalha em conjunto. A Clínica Fábio Pense fica em Lourdes, Belo Horizonte, e atende a partir das 6h — dá para cuidar do corpo antes do jogo ou do trabalho. Saiba mais sobre o atendimento para atletas.
Quando procurar um médico
Procure o ortopedista rapidamente se:
- houve um estalo seguido de dor forte, inchaço rápido ou perda de força (pode ser ruptura de tendão ou ligamento);
- o joelho falseia ou trava depois de uma entorse;
- você não consegue apoiar o pé ou caminhar após uma torção;
- há deformidade visível, hematoma grande ou dor óssea localizada;
- o braço ficou fraco para levantar ou houve formigamento persistente na mão;
- o cotovelo está quente, vermelho e inchado, principalmente com febre.
E agende uma consulta sem pressa, mas sem adiar, se uma dor de cotovelo ou ombro não melhora após cerca de duas semanas de repouso relativo e cuidados em casa — é o prazo que o NHS sugere para procurar o médico no caso do cotovelo de tenista.
Em resumo
- Cotovelo (epicondilite lateral) e ombro (manguito rotador) são as lesões mais comuns no beach tennis.
- Em um estudo com 698 praticantes, cerca de 54% relataram lesão; acima dos 50 anos, 61,8%.
- Mais dias de jogo por semana, partidas de mais de 3 horas e lesão anterior estiveram associados a mais lesões.
- Progressão gradual (sem percentual "mágico"), fortalecimento e atenção à dor que persiste são a base da prevenção.
- Voltar a jogar quando a dor some no repouso, mas antes de o tendão tolerar carga, é a causa mais comum de recaída.
- Estalo com perda de força, joelho que falseia ou incapacidade de apoiar o pé pedem ortopedista.
Se você quer continuar na areia por muitos anos — e não apenas até a próxima temporada —, agende uma avaliação na Clínica Fábio Pense.
Referências
- Rodrigues FL, Barone PS, Penha RS, Franco IP. Injury epidemiology in beach tennis: incidence and risk factors. Acta Ortopédica Brasileira, 2024;32(1):e268301. Link
- Fonseca GB, Ramos APS, Okubo R. Epidemiological profile of beach tennis practitioners in Florianopolis region – Santa Catarina/Brazil. Fisioterapia e Pesquisa, 2024;31. Link
- NHS. Tennis elbow. National Health Service (Reino Unido). Link
- Buist I, Bredeweg SW, van Mechelen W et al. No effect of a graded training program on the number of running-related injuries in novice runners: a randomized controlled trial. American Journal of Sports Medicine, 2008;36(1):33-39. Link
Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.