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Lesões no beach tennis: como continuar jogando sem pagar com o cotovelo

Leitura de 8 min · 06 de outubro de 2026 · Por Fábio Pense Duarte, pioneiro do New Seitai em MG
Avaliação de mobilidade de ombro na Clínica Fábio Pense, no bairro Lourdes, Belo Horizonte

As lesões mais comuns no beach tennis são a epicondilite lateral do cotovelo e as tendinopatias do ombro, seguidas por entorses de joelho e tornozelo. Em um estudo brasileiro com 698 praticantes, 377 (cerca de 54%) relataram alguma lesão, e a proporção foi maior acima dos 50 anos, em quem jogava com mais frequência, por mais horas seguidas e em quem já tinha se lesionado antes. A prevenção passa por aumentar o volume aos poucos, fortalecer os tendões que mais trabalham e não ignorar dores que persistem.

Talvez você conheça o roteiro. Começou a jogar com os amigos no fim de semana. Em três meses, já eram três vezes por semana. Depois veio o torneio do clube, a aula das 7h antes do escritório, a partida que vira duas, que vira três. E um dia, ao abrir a garrafa d'água ou apertar a mão de um cliente, aquela fisgada na parte de fora do cotovelo.

O beach tennis conquistou Belo Horizonte — quadras de areia no meio da cidade, em Nova Lima, nos clubes. E tem tudo para fazer bem: é social, divertido, aeróbico. A questão é que o corpo adulto se adapta ao esporte mais devagar do que o entusiasmo.

Por que o beach tennis machuca tanto quem começa depois dos 35?

Três características do jogo explicam a maior parte das lesões:

  1. A raquete é sólida e o punho trabalha o tempo todo. Diferente do tênis, a raquete não tem cordas. Segurar firme, girar e estabilizar o punho a cada golpe sobrecarrega os extensores do punho, cujo tendão se prende na parte de fora do cotovelo.
  2. O jogo é perto da rede e rápido. Voleios curtos, reflexos, bola na altura do rosto — muitos golpes por minuto, com pouco tempo de recuperação entre eles.
  3. A areia é instável. Ela poupa impacto, mas o pé afunda e gira. Mudanças bruscas de direção exigem muito de joelho, tornozelo e panturrilha.

Some a isso um fator muito humano: o volume sobe rápido demais. O fôlego melhora relativamente rápido; os tendões costumam precisar de mais tempo para tolerar uma carga nova. No estudo brasileiro citado abaixo, todas as medidas de maior exposição — mais anos de prática, mais dias por semana, partidas mais longas — se associaram a mais lesões.

O que os estudos mostram sobre as lesões no beach tennis?

O esporte é jovem, mas já há dados brasileiros interessantes.

Um estudo transversal publicado na Acta Ortopédica Brasileira em 2024 (Rodrigues e colaboradores) aplicou um questionário on-line a 698 praticantes. Desses, 377 (cerca de 54%) relataram ao menos uma lesão. A tabela mostra a porcentagem dos 698 participantes que citou cada local:

Região % dos praticantes que relataram lesão no local Tipo mais citado
Cotovelo 23,4% Tendinite (epicondilite)
Ombro 14,0% Tendinopatia
Joelho 11,7% Entorse e contusão
Tornozelo 8,9% Entorse
Pé 8,9% Entorse
Panturrilha 7,4% Lesão muscular

Como é um levantamento por questionário, os dados mostram associações, e não causa e efeito.

O mesmo estudo mostrou um dado que conversa diretamente com quem tem mais de 40 anos: relataram lesão 26,1% dos jogadores com menos de 30 anos, 51,2% dos que tinham entre 30 e 50 e 61,8% dos acima de 50. A proporção também chegou a 66,2% entre quem jogava de 5 a 7 vezes por semana e a 67,1% entre quem fazia partidas de mais de 3 horas. E, entre quem já tinha uma lesão anterior, 74,9% tiveram uma nova lesão no beach tennis.

Um segundo estudo brasileiro, com cerca de 140 praticantes da Grande Florianópolis, publicado na revista Fisioterapia e Pesquisa em 2024 (Fonseca e colaboradores), chegou a um quadro parecido: 30,7% dos participantes relataram lesões; o cotovelo respondeu por 26,8% delas e o ombro por 13%, e 90% das lesões de cotovelo eram tendinopatia lateral (epicondilite).

Um detalhe honesto do estudo maior: alongar antes e depois do jogo e fazer musculação não apareceram como fatores de proteção estatisticamente significativos. Isso não quer dizer que não sirvam — o próprio artigo lembra que o treino de força bem orientado é defendido na prevenção de lesões. Sugere que, nesse grupo, volume de jogo e histórico de lesão pesaram mais do que simplesmente fazer ou não fazer academia.

Quais são as lesões mais comuns, região por região?

Cotovelo — epicondilite lateral ("cotovelo de tenista"). Dor na parte de fora do cotovelo ao segurar, torcer ou apertar, às vezes com sensibilidade ao toque e dificuldade para esticar o braço por completo. Costuma piorar no backhand e ao levantar objetos com a palma para baixo. Começa leve e muitas vezes é ignorada por semanas.

Ombro — tendinopatia do manguito rotador. Dor na frente ou na lateral do ombro ao sacar, fazer o smash ou alcançar a bola acima da cabeça. Às vezes incomoda à noite ao deitar sobre o lado. Na avaliação, é comum encontrarmos escápula pouco estável e coluna torácica rígida associadas — o assunto é aprofundado em tendinite e dor no ombro.

Joelho e tornozelo — entorses. O pé afunda, o corpo gira, a articulação torce. Quadril fraco e pouco controle de aterrissagem aumentam o risco.

Panturrilha — lesão muscular. A sensação de "pedrada na perna" ao arrancar para uma bola curta. No estudo da Acta, 7,4% dos praticantes relataram lesão na panturrilha.

Coluna. Cervical e lombar apareceram, cada uma, em 6,9% dos relatos. Rotação repetida do tronco e muitas horas inclinado no jogo de rede somam, especialmente para quem já tem histórico de dor nas costas.

Como saber se é lesão e quem faz o diagnóstico?

Dor que some no dia seguinte costuma ser só cansaço muscular. Já dor que se repete no mesmo ponto, que aparece mais cedo a cada partida ou que dura mais de duas semanas apesar do descanso merece avaliação.

O diagnóstico é médico — em geral feito pelo ortopedista ou médico do esporte, pelo exame físico e pela história. Exames de imagem, como ultrassom ou ressonância, entram quando há suspeita de ruptura, quando a dor não melhora com o tratamento inicial ou quando há dúvida sobre outra causa, como compressão de nervo vinda do pescoço. Na Clínica Fábio Pense, a avaliação é funcional: olha mobilidade, força e compensações, e não substitui esse diagnóstico.

Como prevenir sem largar a quadra?

Um passo a passo realista para quem quer jogar por muitos anos:

  1. Aumente o volume aos poucos. Não existe um percentual definido por estudos. A famosa "regra dos 10% por semana" é uma convenção de treino, não um dado científico: em um ensaio clínico com 532 corredores iniciantes, seguir essa regra não reduziu as lesões. O princípio que vale é o gradualismo — subir um degrau (mais um dia, ou mais meia hora) e observar como o corpo responde por uma ou duas semanas antes do próximo.
  2. Limite a duração das sessões. No estudo brasileiro, jogar mais de 3 horas por vez esteve associado a mais lesões.
  3. Aqueça de forma progressiva. Alguns minutos de movimento de ombros, punhos, quadril e tornozelos antes de bater forte. É uma medida simples e de bom senso, ainda que não tenha sido testada especificamente no beach tennis.
  4. Fortaleça os músculos que mais trabalham. Extensores do punho, manguito rotador, músculos da escápula, glúteos e panturrilha. Exercícios de fortalecimento e alongamento fazem parte do tratamento da epicondilite recomendado pelo NHS.
  5. Cuide da mobilidade da coluna torácica. Ela participa do movimento de levar o braço acima da cabeça; quando está rígida, é comum o ombro compensar.
  6. Respeite a dor que fica. Dor que persiste no dia seguinte, ou que aparece mais cedo a cada partida, é um sinal prático de que a carga está acima do que o tendão tolera no momento.
  7. Revise o equipamento e a técnica com um professor. Peso da raquete, empunhadura e técnica do golpe são pontos que costumam ser ajustados quando o cotovelo reclama.

O que não ajuda (e alguns mitos)

E quando a lesão já chegou: como voltar a jogar?

O erro mais comum é voltar quando a dor some no repouso, mas antes de o tendão tolerar carga. A recaída costuma vir em duas ou três partidas.

Um retorno mais seguro costuma seguir etapas:

Em lesões mais sérias, como ruptura de tendão ou instabilidade do joelho após entorse, o ortopedista do esporte precisa estar no comando. O NHS indica que a cirurgia para epicondilite só costuma ser considerada quando a dor persiste por muitos meses apesar do tratamento conservador.

Onde a Clínica Fábio Pense entra?

Na avaliação funcional, o Fábio olha o atleta inteiro, não só o cotovelo que dói. É comum ouvirmos no consultório que "o cotovelo começou a doer depois que o ombro travou". Na nossa observação clínica, compensações em cadeia são frequentes — ombro rígido sobrecarregando o punho, quadril fraco deixando o joelho mais exposto —, e por isso o conjunto é avaliado.

O Fábio trabalha com tratamento combinado: não usa uma técnica isolada, e sim integra recursos diferentes conforme o caso. Dependendo do que a avaliação individual mostrar, o plano pode incluir:

Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais, tem 22 anos de prática, formação no Brasil e duas imersões na China, mais de 12 mil profissionais formados e registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico: lesões que exigem exame de imagem, infiltração ou cirurgia ficam com o ortopedista, e a clínica trabalha em conjunto. A Clínica Fábio Pense fica em Lourdes, Belo Horizonte, e atende a partir das 6h — dá para cuidar do corpo antes do jogo ou do trabalho. Saiba mais sobre o atendimento para atletas.

Quando procurar um médico

Procure o ortopedista rapidamente se:

E agende uma consulta sem pressa, mas sem adiar, se uma dor de cotovelo ou ombro não melhora após cerca de duas semanas de repouso relativo e cuidados em casa — é o prazo que o NHS sugere para procurar o médico no caso do cotovelo de tenista.

Em resumo

Se você quer continuar na areia por muitos anos — e não apenas até a próxima temporada —, agende uma avaliação na Clínica Fábio Pense.

Referências

  1. Rodrigues FL, Barone PS, Penha RS, Franco IP. Injury epidemiology in beach tennis: incidence and risk factors. Acta Ortopédica Brasileira, 2024;32(1):e268301. Link
  2. Fonseca GB, Ramos APS, Okubo R. Epidemiological profile of beach tennis practitioners in Florianopolis region – Santa Catarina/Brazil. Fisioterapia e Pesquisa, 2024;31. Link
  3. NHS. Tennis elbow. National Health Service (Reino Unido). Link
  4. Buist I, Bredeweg SW, van Mechelen W et al. No effect of a graded training program on the number of running-related injuries in novice runners: a randomized controlled trial. American Journal of Sports Medicine, 2008;36(1):33-39. Link

Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Os estudos brasileiros apontam o cotovelo em primeiro lugar, principalmente a epicondilite lateral (o chamado "cotovelo de tenista"), seguido do ombro, com tendinopatias do manguito rotador. Nos membros inferiores, as entorses de joelho e tornozelo são as lesões traumáticas mais citadas.
O jogo é feito de golpes curtos e rápidos perto da rede, com a raquete firme na mão, o que exige muito dos músculos extensores do punho — eles se prendem na parte de fora do cotovelo. Gestos repetidos de segurar e girar o punho são a causa clássica da epicondilite lateral. Quando o volume de jogo sobe rápido demais, o tendão tende a não acompanhar.
Pode, e muitos jogam muito bem. O cuidado é com o volume: em um estudo brasileiro com 698 praticantes, 61,8% dos jogadores acima dos 50 anos relataram alguma lesão, contra 26,1% dos com menos de 30. Aumentar a frequência aos poucos, aquecer de verdade e dar atenção a dores que persistem por mais de uma semana faz diferença.
Depende da gravidade e de quanto tempo a dor foi ignorada. Muitos casos melhoram em semanas com ajuste de carga e fortalecimento, mas o NHS, serviço de saúde britânico, lembra que a epicondilite pode durar meses e, às vezes, mais de um ano. Voltar quando a dor some no repouso, mas antes de o tendão tolerar carga, é a causa mais comum de recaída.
A areia reduz o impacto, mas aumenta a instabilidade: o pé afunda e gira, e mudanças bruscas de direção sobrecarregam joelho e tornozelo. Por isso as entorses estão entre as lesões traumáticas mais relatadas. Força de quadril e coxa e treino de equilíbrio são medidas de preparo usadas em esportes com mudança de direção.
Nem sempre parar totalmente é o caminho mais útil. Muitas vezes o ajuste é reduzir o volume, a duração das partidas e os golpes que mais provocam a dor, enquanto o tendão é fortalecido. Se a dor é intensa, piora a cada jogo, atrapalha tarefas simples como segurar uma xícara ou não melhora após duas semanas de ajuste, vale procurar avaliação antes de seguir.

Quer continuar na quadra por muitos anos?

A avaliação funcional olha ombro, cotovelo, coluna, quadril e pisada para entender onde o seu jogo está cobrando a conta. Agende na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte, com horários a partir das 6h.

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