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Acupuntura para zumbido no ouvido: o que dá para esperar

Leitura de 9 min · 06 de outubro de 2026 · Por Fábio Pense Duarte, pioneiro do New Seitai em MG
Sessão de acupuntura na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, Belo Horizonte

A acupuntura para zumbido no ouvido pode ajudar: estudos e revisões mostram resultados favoráveis em parte dos pacientes, e ela tende a fazer mais sentido quando o zumbido tem componente cervical, da mandíbula (ATM) ou de tensão e estresse. O primeiro passo, sempre, é a avaliação do otorrinolaringologista, porque algumas causas de zumbido precisam de investigação médica. Depois disso, a acupuntura pode entrar em um plano combinado, voltado a reduzir o incômodo e melhorar o sono.

À noite, quando a casa silencia, ele aparece. Um chiado agudo, às vezes um apito, às vezes algo parecido com uma panela de pressão distante. Durante o dia, numa reunião ou no trânsito, você quase esquece. Mas na hora de dormir, o som parece ocupar o quarto inteiro.

Se você convive com isso, saiba que não está sozinho, e que existe uma diferença importante entre o que é promessa e o que é possível. Este texto foi escrito para separar as duas coisas.


O que é o zumbido e quantas pessoas convivem com ele?

Zumbido (ou tinnitus) é a percepção de um som sem que exista uma fonte sonora externa. Pode ser chiado, apito, ronco, pulsação, em um ou nos dois ouvidos, constante ou intermitente.

É muito mais comum do que parece. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2022 na revista JAMA Neurology (Jarach e colaboradores) estimou que 14,4% dos adultos têm algum grau de zumbido. A frequência sobe com a idade: 9,7% entre 18 e 44 anos, 13,7% entre 45 e 64 anos e 23,6% a partir dos 65 anos. Os autores calcularam que o zumbido atinge mais de 740 milhões de adultos no mundo e é percebido como um problema importante por mais de 120 milhões, a maioria com 65 anos ou mais.

Para muitos, o zumbido incomoda pouco. Para uma parte, ele interfere no sono, na concentração e no humor, e é aí que ele pede um plano de cuidado.


Quais são as causas mais comuns?

O zumbido é um sintoma, não uma doença. Segundo o NIDCD, instituto dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, as causas e associações mais frequentes incluem:

Estresse, ansiedade e sono ruim não costumam ser a causa isolada, mas frequentemente amplificam o incômodo.


Por que o pescoço e a mandíbula podem influenciar o zumbido?

Essa é a parte que mais nos interessa no consultório, e a que menos gente conhece.

Existe uma conexão entre as vias da audição e os nervos que trazem informação do pescoço e da mandíbula. No tronco cerebral, o núcleo coclear dorsal recebe sinais tanto do ouvido quanto do sistema somatossensorial. Uma revisão de escopo de 2017 descreve que estímulos vindos dessas regiões podem modular a atividade desse núcleo, o que ajuda a explicar por que o som muda com certos movimentos.

Uma revisão sistemática de Sarah Michiels e colaboradores, publicada em 2016 na Frontiers in Neuroscience, cita esse zumbido somatossensorial em 36% a 43% das pessoas com zumbido subjetivo. Em quem tem disfunção da ATM, o zumbido também aparece com mais frequência do que na população geral.

Alguns sinais sugerem esse componente:

A mesma revisão de 2016 encontrou resultados favoráveis com o tratamento da cervical e da ATM: nos seis estudos incluídos, o incômodo do zumbido diminuiu em pessoas que tinham esse componente somatossensorial. Se você se reconhece nessa lista, vale ler também sobre dor na ATM e cervical.


O que a evidência mostra sobre acupuntura para zumbido?

Os estudos apontam numa direção favorável.

A resposta varia de pessoa para pessoa, e a acupuntura não promete fazer o som desaparecer. O que ela pode oferecer é alívio do incômodo em parte dos pacientes, com ganhos que muitas vezes aparecem também no sono, na tensão muscular e na ansiedade associados. Na Clínica Fábio Pense, ela não é usada isoladamente: o Fábio trabalha com tratamento combinado, integrando acupuntura, técnicas manuais e outras abordagens conforme o que a avaliação de cada caso mostrar. O texto sobre acupuntura e o sistema nervoso ajuda a entender esse raciocínio.


O que ajuda no zumbido, segundo diretrizes e estudos

Medida Para que serve O que dizem diretrizes e estudos
Avaliação com otorrino e audiometria Identificar causa e perda auditiva Ponto de partida em todas as diretrizes
Aparelho auditivo (quando há perda) Melhorar a audição e reduzir o contraste com o zumbido Recomendado pela AAO-HNS e pelo NICE
Terapia cognitivo-comportamental Reduzir o sofrimento ligado ao zumbido Recomendada pela AAO-HNS e pelo NICE
Terapia sonora (som de fundo) Diminuir o contraste no silêncio Opção pela AAO-HNS; evidência ainda incerta para o NICE
Cuidado da cervical e da ATM Reduzir o componente somatossensorial Resultados favoráveis no zumbido somatossensorial (Michiels, 2016)
Acupuntura Reduzir o incômodo; apoio em tensão, sono e ansiedade Resultados favoráveis em revisões e meta-análise (Kim, 2012; Wu, 2023)

Também vale saber o que as diretrizes não recomendam para o zumbido em si: a AAO-HNS se posiciona contra o uso rotineiro de antidepressivos, anticonvulsivantes, ansiolíticos ou medicamentos aplicados no ouvido para tratar o zumbido, e contra suplementos como ginkgo biloba, melatonina e zinco. O NICE orienta não oferecer betaistina para zumbido. Se você já usa algum remédio, não suspenda por conta própria: converse com o seu médico.


Como funciona o cuidado na Clínica Fábio Pense

O ponto de partida é simples: primeiro o otorrino, depois a clínica. Se você ainda não fez avaliação médica e audiometria, essa é a primeira orientação.

Com a avaliação médica feita, o cuidado costuma seguir estes passos, ajustados a cada caso:

  1. Escuta detalhada: quando o zumbido começou, o que piora, o que alivia, como está o sono, se há dor cervical ou na mandíbula.
  2. Avaliação funcional da cervical, da ATM, da postura e da respiração, procurando sinais do componente somatossensorial.
  3. Observação da modulação: o Fábio verifica se movimentos do pescoço ou da mandíbula alteram o som.
  4. Acupuntura, chinesa ou japonesa, quando a avaliação indicar, com a escolha da linha conforme o perfil e o foco em incômodo, tensão muscular, sono e estresse.
  5. Trabalho manual na cervical e na musculatura da mastigação, se o Fábio considerar pertinente para aquele caso.
  6. Reavaliação depois de algumas sessões. Sem mudança perceptível, o plano é revisto e outros caminhos são conversados com você.

Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais e tem 22 anos de prática em acupuntura e terapias manuais, com formação no Brasil e na China (imersões em 2010 e 2019, formação WFAS-China), mais de 12 mil profissionais formados em seus cursos e registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico: a avaliação é funcional e o cuidado é complementar ao do otorrino, do dentista que trata a ATM e, quando necessário, do psicólogo.


O que fazer em casa com segurança


Quando procurar um médico

O zumbido merece avaliação do otorrinolaringologista em qualquer caso. A diretriz britânica NICE orienta níveis de urgência:


Em resumo


Silêncio possível, expectativa honesta

O zumbido costuma piorar justamente quando a vida aperta: prazos, noites mal dormidas, mandíbula travada no trânsito. Muitos pacientes relatam que, quando a tensão no pescoço e na mandíbula diminui e o sono melhora, o som perde espaço, mesmo que não suma.

Se você já passou pelo otorrino e quer olhar para a cervical, a ATM e o estresse como parte do quadro, conheça a acupuntura em Belo Horizonte na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, ou agende uma avaliação. Atendimento particular, com tempo para ouvir a sua história.

Referências

  1. Jarach CM, Lugo A, Scala M, et al. Global Prevalence and Incidence of Tinnitus: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Neurology, 2022. Link
  2. National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Tinnitus. Link
  3. Tunkel DE, Bauer CA, Sun GH, et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2014. Link
  4. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Tinnitus: assessment and management (NG155). NICE, 2020. Link
  5. Michiels S, Naessens S, Van de Heyning P, et al. The Effect of Physical Therapy Treatment in Patients with Subjective Tinnitus: A Systematic Review. Frontiers in Neuroscience, 2016. Link
  6. Haider HF, Hoare DJ, Costa RFP, et al. Pathophysiology, Diagnosis and Treatment of Somatosensory Tinnitus: A Scoping Review. Frontiers in Neuroscience, 2017. Link
  7. Kim JI, Choi JY, Lee DH, Choi TY, Lee MS, Ernst E. Acupuncture for the treatment of tinnitus: a systematic review of randomized clinical trials. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2012. Link
  8. Wu Q, Wang J, Han D, Hu H, Gao H. Efficacy and safety of acupuncture and moxibustion for primary tinnitus: A systematic review and meta-analysis. American Journal of Otolaryngology, 2023. Link

Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Pode ajudar. Uma revisão sistemática de 2012 (Kim e colaboradores) incluiu ensaios com resultados favoráveis, e uma meta-análise de 2023 com 34 ensaios e 3.086 pacientes (Wu e colaboradores) associou acupuntura e moxabustão a menor impacto do zumbido no dia a dia e menor intensidade do som. Ela tende a fazer mais sentido quando o zumbido se associa a tensão no pescoço, na mandíbula, ansiedade ou sono ruim, e sempre depois da avaliação do otorrino.
Depende da causa. Quando há um motivo tratável, como cera no ouvido, infecção ou efeito de medicamento, tratar a causa pode resolver. No zumbido persistente, não há hoje uma cura, segundo o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação dos Estados Unidos (NIDCD). O objetivo passa a ser reduzir o incômodo, com aparelho auditivo quando há perda auditiva, terapia cognitivo-comportamental e terapia sonora.
Pode. É o chamado zumbido somatossensorial, em que estímulos da coluna cervical e da articulação temporomandibular (ATM) modulam o som. Revisões descrevem esse componente em 36% a 43% das pessoas com zumbido subjetivo. Um sinal típico é o som mudar ao apertar os dentes, mexer a mandíbula ou girar o pescoço.
O otorrinolaringologista, que fará exame do ouvido e normalmente pedirá audiometria. Perda súbita de audição deve ser avaliada em até 24 horas, e zumbido com sintomas neurológicos súbitos ou tontura intensa exige pronto-socorro. Zumbido pulsátil ou de um lado só também merece investigação. Depois disso, abordagens complementares podem entrar no plano.
Não há um número fixo: depende da causa, do tempo de zumbido e da resposta de cada pessoa. Na Clínica Fábio Pense, o número de sessões é definido a partir da avaliação individual, e o Fábio costuma reavaliar o caso depois de algumas sessões. Se o incômodo, o sono ou a tensão associada não mudarem, o plano é revisto com o paciente.
Muitas pessoas percebem que o zumbido fica mais alto ou mais incômodo em fases de estresse, ansiedade e sono ruim. Não é que o som seja imaginário: o cérebro passa a dar mais atenção a ele. Por isso a terapia cognitivo-comportamental é recomendada pelas diretrizes, e cuidar do sono costuma fazer parte do manejo.

O zumbido piora com tensão no pescoço ou na mandíbula?

Depois da avaliação do otorrino, uma avaliação funcional pode observar a cervical e a ATM. Agende na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, BH, sempre em conjunto com o seu médico.

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Conteúdo informativo, não substitui avaliação clínica individual. Diante de sinais de alerta, procure atendimento.

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