A acupuntura para zumbido no ouvido pode ajudar: estudos e revisões mostram resultados favoráveis em parte dos pacientes, e ela tende a fazer mais sentido quando o zumbido tem componente cervical, da mandíbula (ATM) ou de tensão e estresse. O primeiro passo, sempre, é a avaliação do otorrinolaringologista, porque algumas causas de zumbido precisam de investigação médica. Depois disso, a acupuntura pode entrar em um plano combinado, voltado a reduzir o incômodo e melhorar o sono.
À noite, quando a casa silencia, ele aparece. Um chiado agudo, às vezes um apito, às vezes algo parecido com uma panela de pressão distante. Durante o dia, numa reunião ou no trânsito, você quase esquece. Mas na hora de dormir, o som parece ocupar o quarto inteiro.
Se você convive com isso, saiba que não está sozinho, e que existe uma diferença importante entre o que é promessa e o que é possível. Este texto foi escrito para separar as duas coisas.
O que é o zumbido e quantas pessoas convivem com ele?
Zumbido (ou tinnitus) é a percepção de um som sem que exista uma fonte sonora externa. Pode ser chiado, apito, ronco, pulsação, em um ou nos dois ouvidos, constante ou intermitente.
É muito mais comum do que parece. Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2022 na revista JAMA Neurology (Jarach e colaboradores) estimou que 14,4% dos adultos têm algum grau de zumbido. A frequência sobe com a idade: 9,7% entre 18 e 44 anos, 13,7% entre 45 e 64 anos e 23,6% a partir dos 65 anos. Os autores calcularam que o zumbido atinge mais de 740 milhões de adultos no mundo e é percebido como um problema importante por mais de 120 milhões, a maioria com 65 anos ou mais.
Para muitos, o zumbido incomoda pouco. Para uma parte, ele interfere no sono, na concentração e no humor, e é aí que ele pede um plano de cuidado.
Quais são as causas mais comuns?
O zumbido é um sintoma, não uma doença. Segundo o NIDCD, instituto dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, as causas e associações mais frequentes incluem:
- Perda auditiva, ligada à idade ou à exposição a ruído, que tem forte associação com o zumbido.
- Exposição a ruído alto: trabalho, shows, eventos esportivos, fone alto.
- Cera ou líquido no ouvido, por exemplo numa infecção.
- Efeito de alguns medicamentos, especialmente em doses altas, algo que só o médico pode avaliar.
- Alterações dos vasos sanguíneos, como pressão alta e aterosclerose, especialmente no zumbido pulsátil, que acompanha o batimento do coração.
- Apertar ou ranger os dentes e tensão na mandíbula e no pescoço, no chamado zumbido somatossensorial.
Estresse, ansiedade e sono ruim não costumam ser a causa isolada, mas frequentemente amplificam o incômodo.
Por que o pescoço e a mandíbula podem influenciar o zumbido?
Essa é a parte que mais nos interessa no consultório, e a que menos gente conhece.
Existe uma conexão entre as vias da audição e os nervos que trazem informação do pescoço e da mandíbula. No tronco cerebral, o núcleo coclear dorsal recebe sinais tanto do ouvido quanto do sistema somatossensorial. Uma revisão de escopo de 2017 descreve que estímulos vindos dessas regiões podem modular a atividade desse núcleo, o que ajuda a explicar por que o som muda com certos movimentos.
Uma revisão sistemática de Sarah Michiels e colaboradores, publicada em 2016 na Frontiers in Neuroscience, cita esse zumbido somatossensorial em 36% a 43% das pessoas com zumbido subjetivo. Em quem tem disfunção da ATM, o zumbido também aparece com mais frequência do que na população geral.
Alguns sinais sugerem esse componente:
- O som muda ao apertar os dentes, abrir a boca ou empurrar a mandíbula para o lado.
- O som muda ao girar ou inclinar o pescoço, ou ao pressionar pontos da musculatura.
- Há dor cervical, bruxismo ou dor na mandíbula associada.
- O zumbido piora em dias de tensão e trabalho prolongado no computador.
A mesma revisão de 2016 encontrou resultados favoráveis com o tratamento da cervical e da ATM: nos seis estudos incluídos, o incômodo do zumbido diminuiu em pessoas que tinham esse componente somatossensorial. Se você se reconhece nessa lista, vale ler também sobre dor na ATM e cervical.
O que a evidência mostra sobre acupuntura para zumbido?
Os estudos apontam numa direção favorável.
- Uma revisão sistemática de 2012, liderada por Kim e publicada na BMC Complementary and Alternative Medicine, reuniu nove ensaios clínicos randomizados sobre acupuntura no zumbido, alguns deles com resultados favoráveis, como um estudo com acupuntura escalpeana e outro que comparou a acupuntura com tratamento medicamentoso.
- Uma meta-análise de 2023, publicada no American Journal of Otolaryngology (Wu e colaboradores), reuniu 34 ensaios clínicos com 3.086 pacientes. Em comparação aos grupos de controle, acupuntura e moxabustão se associaram a menor impacto do zumbido no dia a dia (questionário THI), menor intensidade do som e redução nas escalas de ansiedade e depressão, com bom perfil de segurança.
- Para o zumbido somatossensorial, a revisão de Michiels (2016), citada acima, mostrou resultados favoráveis com o tratamento da cervical e da ATM, justamente as regiões que a avaliação funcional observa.
A resposta varia de pessoa para pessoa, e a acupuntura não promete fazer o som desaparecer. O que ela pode oferecer é alívio do incômodo em parte dos pacientes, com ganhos que muitas vezes aparecem também no sono, na tensão muscular e na ansiedade associados. Na Clínica Fábio Pense, ela não é usada isoladamente: o Fábio trabalha com tratamento combinado, integrando acupuntura, técnicas manuais e outras abordagens conforme o que a avaliação de cada caso mostrar. O texto sobre acupuntura e o sistema nervoso ajuda a entender esse raciocínio.
O que ajuda no zumbido, segundo diretrizes e estudos
| Medida | Para que serve | O que dizem diretrizes e estudos |
|---|---|---|
| Avaliação com otorrino e audiometria | Identificar causa e perda auditiva | Ponto de partida em todas as diretrizes |
| Aparelho auditivo (quando há perda) | Melhorar a audição e reduzir o contraste com o zumbido | Recomendado pela AAO-HNS e pelo NICE |
| Terapia cognitivo-comportamental | Reduzir o sofrimento ligado ao zumbido | Recomendada pela AAO-HNS e pelo NICE |
| Terapia sonora (som de fundo) | Diminuir o contraste no silêncio | Opção pela AAO-HNS; evidência ainda incerta para o NICE |
| Cuidado da cervical e da ATM | Reduzir o componente somatossensorial | Resultados favoráveis no zumbido somatossensorial (Michiels, 2016) |
| Acupuntura | Reduzir o incômodo; apoio em tensão, sono e ansiedade | Resultados favoráveis em revisões e meta-análise (Kim, 2012; Wu, 2023) |
Também vale saber o que as diretrizes não recomendam para o zumbido em si: a AAO-HNS se posiciona contra o uso rotineiro de antidepressivos, anticonvulsivantes, ansiolíticos ou medicamentos aplicados no ouvido para tratar o zumbido, e contra suplementos como ginkgo biloba, melatonina e zinco. O NICE orienta não oferecer betaistina para zumbido. Se você já usa algum remédio, não suspenda por conta própria: converse com o seu médico.
Como funciona o cuidado na Clínica Fábio Pense
O ponto de partida é simples: primeiro o otorrino, depois a clínica. Se você ainda não fez avaliação médica e audiometria, essa é a primeira orientação.
Com a avaliação médica feita, o cuidado costuma seguir estes passos, ajustados a cada caso:
- Escuta detalhada: quando o zumbido começou, o que piora, o que alivia, como está o sono, se há dor cervical ou na mandíbula.
- Avaliação funcional da cervical, da ATM, da postura e da respiração, procurando sinais do componente somatossensorial.
- Observação da modulação: o Fábio verifica se movimentos do pescoço ou da mandíbula alteram o som.
- Acupuntura, chinesa ou japonesa, quando a avaliação indicar, com a escolha da linha conforme o perfil e o foco em incômodo, tensão muscular, sono e estresse.
- Trabalho manual na cervical e na musculatura da mastigação, se o Fábio considerar pertinente para aquele caso.
- Reavaliação depois de algumas sessões. Sem mudança perceptível, o plano é revisto e outros caminhos são conversados com você.
Fábio Pense Duarte é pioneiro do New Seitai em Minas Gerais e tem 22 anos de prática em acupuntura e terapias manuais, com formação no Brasil e na China (imersões em 2010 e 2019, formação WFAS-China), mais de 12 mil profissionais formados em seus cursos e registro CNAA-MG 2234. Ele não é médico: a avaliação é funcional e o cuidado é complementar ao do otorrino, do dentista que trata a ATM e, quando necessário, do psicólogo.
O que fazer em casa com segurança
- Evite o silêncio total à noite: um som de fundo suave, como ventilador ou ruído branco baixo, pode tornar o zumbido menos evidente.
- Proteja a audição em ambientes barulhentos e mantenha o volume do fone moderado.
- Observe a mandíbula ao longo do dia: se os dentes estiverem encostados e apertados, solte.
- Faça pausas na tela para mover o pescoço e os ombros.
- Cuide do sono, com horário regular e menos tela antes de deitar.
- Se suspeitar de cera acumulada, procure o médico para a remoção.
Quando procurar um médico
O zumbido merece avaliação do otorrinolaringologista em qualquer caso. A diretriz britânica NICE orienta níveis de urgência:
- Pronto-socorro imediato: zumbido com sintomas neurológicos súbitos, como fraqueza no rosto, dificuldade para falar, tontura intensa e descontrolada ou suspeita de AVC. Ligue para o SAMU (192).
- Em até 24 horas: zumbido com perda de audição que surgiu de repente (em até três dias) no último mês.
- Ajuda imediata em saúde mental: se o zumbido vier com pensamentos de desesperança ou de suicídio. No Brasil, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia.
- Em até duas semanas: perda auditiva que piora rapidamente ou sofrimento importante que atrapalha a rotina.
- Investigação com o otorrino: zumbido pulsátil persistente, zumbido em um ouvido só ou perda auditiva assimétrica.
Em resumo
- O zumbido afeta 14,4% dos adultos e 23,6% das pessoas a partir dos 65 anos, segundo revisão publicada no JAMA Neurology.
- O otorrino vem primeiro: algumas causas precisam de investigação e tratamento médico, e perda súbita de audição é urgência.
- Pescoço e mandíbula podem modular o zumbido no chamado zumbido somatossensorial, descrito em 36% a 43% das pessoas com zumbido.
- A acupuntura mostra resultados favoráveis em revisões e meta-análise: pode reduzir o incômodo em parte dos pacientes, especialmente quando há tensão, ansiedade e sono ruim associados.
- Aparelho auditivo (quando há perda) e terapia cognitivo-comportamental são recomendados pelas diretrizes e podem ser combinados com o cuidado complementar.
- O objetivo realista costuma ser reduzir o incômodo e devolver o sono, não fazer o som desaparecer.
Silêncio possível, expectativa honesta
O zumbido costuma piorar justamente quando a vida aperta: prazos, noites mal dormidas, mandíbula travada no trânsito. Muitos pacientes relatam que, quando a tensão no pescoço e na mandíbula diminui e o sono melhora, o som perde espaço, mesmo que não suma.
Se você já passou pelo otorrino e quer olhar para a cervical, a ATM e o estresse como parte do quadro, conheça a acupuntura em Belo Horizonte na Clínica Fábio Pense, em Lourdes, ou agende uma avaliação. Atendimento particular, com tempo para ouvir a sua história.
Referências
- Jarach CM, Lugo A, Scala M, et al. Global Prevalence and Incidence of Tinnitus: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Neurology, 2022. Link
- National Institute on Deafness and Other Communication Disorders (NIDCD). Tinnitus. Link
- Tunkel DE, Bauer CA, Sun GH, et al. Clinical practice guideline: tinnitus. Otolaryngology–Head and Neck Surgery, 2014. Link
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Tinnitus: assessment and management (NG155). NICE, 2020. Link
- Michiels S, Naessens S, Van de Heyning P, et al. The Effect of Physical Therapy Treatment in Patients with Subjective Tinnitus: A Systematic Review. Frontiers in Neuroscience, 2016. Link
- Haider HF, Hoare DJ, Costa RFP, et al. Pathophysiology, Diagnosis and Treatment of Somatosensory Tinnitus: A Scoping Review. Frontiers in Neuroscience, 2017. Link
- Kim JI, Choi JY, Lee DH, Choi TY, Lee MS, Ernst E. Acupuncture for the treatment of tinnitus: a systematic review of randomized clinical trials. BMC Complementary and Alternative Medicine, 2012. Link
- Wu Q, Wang J, Han D, Hu H, Gao H. Efficacy and safety of acupuncture and moxibustion for primary tinnitus: A systematic review and meta-analysis. American Journal of Otolaryngology, 2023. Link
Conteúdo informativo, revisado em outubro de 2026. Não substitui consulta médica.